segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Solenidade dá largada para acordo ortográfico

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou hoje decreto que estabelece o cronograma para a vigência do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa e orienta a sua implementação.
A assinatura foi às 15h, na Academia Brasileira de Letras, no Rio de Janeiro, durante sessão solene de celebração dos 100 anos de morte de Machado de Assis. O acadêmico Eduardo Portella será o orador oficial da solenidade.

O Acordo Ortográfico prevê 20 bases de mudanças na língua portuguesa, tais como o fim do trema, a supressão de consoantes mudas, novas regras para o emprego do hífen, inclusão das letras w, k e y ao idioma, além de novas regras de acentuação, em que palavras como "idéia" e "assembléia" perderão o acento agudo.

De acordo com o decreto, o acordo entrará em vigor a partir de janeiro de 2009, mas as duas normas ortográficas - a atual e a prevista no acordo - poderão ser usadas e aceitas como corretas nos exames escolares, vestibulares, concursos públicos e demais meios escritos até dezembro de 2012.

A novidade chegará aos livros didáticos em 2010, quando todos deverão ser editados de acordo com a nova ortografia, com exceção de reposições e complementações de programas em curso.

GRAFIA
A expectativa é que a reforma ortográfica amplie a cooperação internacional entre os países falantes da língua portuguesa ao estabelecer uma grafia oficial única do idioma. A medida também deve facilitar o processo de intercâmbio cultural e científico entre os países e ampliar a divulgação do idioma e da literatura em língua portuguesa.

O presidente da ABL, Cícero Sandroni, afirma que na solenidade de hoje Machado de Assis será duplamente exaltado. "De um lado, a Academia lhe rende a mais expressiva homenagem neste ano em que celebramos o centenário de sua morte com dezenas de realizações, entre as quais exposição sobre sua vida e obra já visitada por milhares de pessoas, na sua maioria estudantes. E de outro, a assinatura, pelo presidente Lula, dos decretos que promulgam o Acordo Ortográfico dos sete países lusófonos, ato que concretiza uma aspiração de Machado, no discurso de encerramento do ano acadêmico de 1897: "A Academia buscará ser a guardiã de nosso idioma, fundado em suas legítimas fontes - o povo e os escritores, todos os falantes de língua portuguesa"

Participaram da solenidade, entre outros, os ministros da Educação, Fernando Haddad, da Cultura, Juca Ferreira, e o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral.


HISTÓRICO
Assinado em Lisboa, em 16 de dezembro de 1990, o acordo busca unificar o registro escrito nos oito países que falam português - Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste, Brasil e Portugal.

Em 1990, os presidentes dos sete países onde a língua portuguesa é idioma oficial (na época, o Timor-Leste ainda não havia declarado independência) assinaram um tratado ortográfico que passaria a vigorar em 1994 e foi ratificado pelo Brasil por meio do Decreto Legislativo nº 54, de 18 de abril de 1995.

A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) foi criada em 1996 e, dois anos depois, foi assinado, em Praia, capital de Cabo Verde, o protocolo modificativo do acordo, que alterou sua data de vigência. O protocolo modificativo foi ratificado pelo Decreto Legislativo nº 120, de 12 de junho de 2002.

Em 2004, foi assinado novo protocolo modificativo que previa a adesão do Timor-Leste, após sua independência, em 2002, e a entrada em vigor do Acordo a partir de sua ratificação por pelo menos três dos estados signatários em 1990.

Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Portugal já incorporaram a reforma ortográfica a seu ordenamento jurídico. No caso do Brasil, para que a nova norma possa ter efeitos, além do decreto que organiza e determina a entrada em vigor da nova ortografia, serão assinados outros três decretos: um de promulgação do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa e dois para promulgar cada um dos dois protocolos modificativos.

Hoje comemora-se o centenário de morte do escritor Machado de Assis

Machado de Assis foi um romancista, contista, poeta e teatrólogo brasileiro, considerado um dos mais importantes nomes da literatura do país.

É considerado, pelo crítico Harold Bloom, como o maior escritor afro-descendente de todos os tempos.
Joaquim Maria Machado de Assis nasceu dia 21 de junho de 1839, na cidade do Rio de Janeiro e faleceu na mesma cidade no dia 29 de setembro de 1908. O garoto pobre, filho de um operário mestiço chamado Francisco José de Assis e de Maria Leopoldina Machado de Assis, marcou a história da literatura brasileira. Ao contrário do que se imagina, a trajetória de Machado de Assis não o conduziu naturalmente para o mundo das letras. Ainda na infância o jovem “Machadinho”, como era carinhosamente chamado, perdeu sua mãe. Durante sua infância e adolescência foi criado por Maria Inês, sua madrasta. A falta de recursos financeiros o obrigou a dividir seu tempo entre os estudos e o trabalho de vendedor de doces. Ainda sobre condições não muito favoráveis, Machado de Assis demonstrava possuir grande facilidade de aprendizado. Segundo alguns relatos - no tempo em que morou em São Cristóvão - aprendeu a falar francês com a dona de uma padaria da região. Já aos 16 anos conseguiu publicar sua primeira obra literária na revista “Marmota Fluminense”, onde registrou as linhas do poema “Ela”.
No ano seguinte, Machado conseguiu um cargo como tipógrafo na Imprensa Nacional e dividiu seu tempo com a criação de novos textos. Durante sua estadia na Imprensa Nacional, o escritor iniciante teve a oportunidade de conhecer Manuel Antônio de Almeida, diretor da instituição e autor do romance “Memórias de um sargento de milícias”. O contato com o diretor lhe concedeu novas oportunidades no campo da literatura e o alcance de outros postos de trabalho. Aos 19 anos de idade, Machado de Assis se tornou colaborador e revisor do Jornal Marmota Fluminense.
Nesse período conheceu outros expressivos escritores de seu tempo, como José de Alencar, Gonçalves Dias, Manoel de Macedo e Manoel Antônio de Almeida. Nesse tempo ainda se dedicou à escrita de obras românticas e ao trabalho jornalístico. Entre 1859 e 1860, conseguiu emprego como colaborador e revisor de diferentes meios de comunicação da época.
Entre outros jornais e revistas, Machado de Assis escreveu para o Correio Mercantil, Diário do Rio de Janeiro, O Espelho, A Semana Ilustrada e Jornal das Famílias. A primeira obra impressa de Machado de Assis foi o livro “Queda que as mulheres têm para os tolos”, onde aparece como tradutor.
Na década de 1860, consolidou sua carreira profissional como revisor e editor. Na mesma época conheceu Faustino Xavier de Novais, diretor da revista “O futuro” e irmão de sua futura esposa. Seu casamento com Carolina foi bem sucedido e marcado pela afinidade que sua companheira também possuía com o mundo da literatura. Em 1867, Machado de Assis publicou seu primeiro livro de poesias, intitulado “Crisálidas”. O sucesso da carreira literária teve seqüência com a publicação do romance “Ressurreição”, de 1872. A vida de intelectual foi amparada por uma promissora carreira constituída no funcionalismo público.
A conquista do cargo de primeiro oficial da Secretaria de Estado do Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas ofereceu uma razoável condição de vida. No ano de 1874, produziu o romance “A mão e a luva” em uma seqüência de publicações realizadas dentro do jornal O Globo, na época, mantido por Quintino Bocaiúva. O prestígio artístico de Machado de Assis o tornou um autor de grande popularidade. Durante as comemorações do tricentenário de Luís de Camões, produziu uma peça de teatro encenada no Imperial Teatro Dom Pedro II. Entre 1881 e 1897, o jornal Gazeta de Notícias abrigou grande parte daquelas que seriam consideradas suas melhores crônicas.
O ano de 1881 foi marcante para a carreira artística e burocrática de Machado de Assis. Naquele mesmo ano, Machado tornou-se oficial de gabinete do ministério em que trabalhava e publicou o romance “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, considerado de suma importância para o realismo na literatura brasileira. A ampla rede de relações e amizades de Machado de Assis lhe abriu portas para um outro importante passo na história da literatura brasileira. Em reuniões com seu amigo, e também escritor, José Veríssimo confabulou as primeiras medidas para a criação da Academia Brasileira de Letras.
Participando ativamente das reuniões de escritores que apoiavam tal projeto, Machado de Assis tornou-se o primeiro presidente da instituição. Com a sua morte, em 1908, foi sucedido por Rui Barbosa. A trajetória de Machado de Assis é alvo de interesse dos apreciadores da literatura e de vários pesquisadores.
A sua obra conta com um leque temático e estilístico bastante variado, dificultando bastante o enquadramento de seu legado em um único gênero. O impacto da sua obra chegou a figurá-lo entre os principais nomes da literatura internacional.

A mordaça do analfabetismo

Em pleno século XXI e mesmo depois de avanços visíveis na área do ensino o Brasil ainda segue às voltas com uma espécie de mordaça cognitiva.

A constatação de que, em pleno século 21 e mesmo depois de avanços visíveis na área do ensino, o Brasil segue às voltas com uma espécie de mordaça cognitiva, como definiu nesta semana o jornalista e professor José Marques de Melo, deixa evidente o quanto o país ainda precisa avançar para garantir qualidade no aprendizado.

A conseqüência do problema, atribuída durante debate na Academia Brasileira de Letras (ABL), no Rio de Janeiro, à falta de acesso à leitura, seria uma espécie de raquitismo da cidadania, na avaliação do especialista. Recém divulgados, os resultados da Síntese de Indicadores Sociais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) confirmam a gravidade da questão: do universo entre 7 e 14 anos que freqüenta a escola, nada menos de 2,1 milhões continuam analfabetos, demonstrando que a escola não está conseguindo cumprir integralmente seu papel.

O fenômeno não é recente e vem sendo quantificado há algum tempo por diferentes levantamentos. Dados do Instituto Paulo Montenegro, do Ibope, por exemplo, revelam que nada menos de 38% dos brasileiros entre 15 e 64 anos são analfabetos funcionais. Isso significa que não conseguem sequer localizar informações em textos um pouco mais longos, muito menos interpretá-los. O agravante é que esses são os familiares de crianças que freqüentam escolas da rede pública no Brasil e que precisam ser alfabetizadas até os oito anos de idade.

Como advertiu o especialista na área de comunicações, a incapacidade de leitura tem conseqüências que não se limitam a dificuldades triviais mas importantes do cotidiano, pois interferem até mesmo na cidadania. Quem não aprende a ler ou a escrever de forma adequada dificilmente terá condições de assimilar bem outros conteúdos relevantes para quem passou pela escola e, algum dia, poderá precisar deles na vida pessoal ou profissional. Isso explica o fato de que, no Brasil, menos de um terço dos alunos da quarta série do Ensino Fundamental sabe o conteúdo da língua portuguesa e pouco mais de 20%, o de matemática.

Conseqüências como essas reforçam a importância de avaliações como a chamada Provinha Brasil, cujo objetivo é justamente medir a alfabetização de alunos até os oito anos. Até recentemente, as escolas da rede pública ainda ofereciam um ensino de qualidade, mas com acesso limitado a poucas pessoas. A democratização fez com que, mesmo numa velocidade inferior à necessária, o país conseguisse praticamente universalizar o acesso ao Ensino Fundamental. O problema ainda à espera de saídas, e urgentes, é que essa verdadeira revolução não foi acompanhada da preocupação com a qualidade. Enquanto não superar esse entrave, o país manterá amordaçado, como definiu o especialista em comunicação, esse contingente expressivo que vive à margem da cultura letrada.

Alunos e professores aprovam uso do jornal em aula

Melhoria da habilidade em leitura, escrita, e formação de senso crítico são algumas das vantagens do uso do jornal impresso em sala de aula. Entre os docentes, uma unanimidade: o jornal traz benefícios para o processo de ensino-aprendizagem, mas falta capacitação para o uso da ferramenta.
A maior difilculdade é que o uso da mídia não é tratado em programas de formação de professores. Nós, professores precisamos ser capacitados, pois o jornal pode melhorar o desempenho dos nossos alunos em avaliações como no Prova Brasil ou SPECE, que exige leitura interpretativa.
Aqui, levamos para a sala os jornais comprados por mim e por amigos para que seja possiblitado as crianças o acesso a leitura. Muitos aslunos já estão usando o jornal em aula, mas ainda não o vêem como essencial.
Já se faz necessário introduzirmos o uso de jornal nas diretrizes curriculares para o ensino da língua portuguesa. Por meio do Projeto "Ortografia Sem Limites e Com Prazer", o texto jornalístico é conteúdo básico a ser trabalhado nos 6ºs e 7ºs anos. Eu comecei a usar o jornal desde o início do segundo semestre para auxiliar nas leituras e construção de textos, na tentativa de diminuir o déficit de aprendizagem.
Os textos concisos, as letras garrafais das manchetes e fotos que retratam o cotidiano atraem os alunos para a leitura. No começo, a minha estratégia foi fazê-los discutir o que está escrito. Ao ver que conseguiam, se motivaram a ler mais.

Conheça agora o nosso PROJETO:


Projeto "Ortografia Sem Limites e Com Prazer"


Público alvo:
Alunos dos 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental, do turno da manhã, da E.E.F. Dr. Stênio Dantas.

Período:
Setembro a novembro de 2008.

Responsáveis:
Profa. Francisca Nádia Fechine de Andrade,
Prof. Laercio Genuino Mendonça,
Profa. Rafaele Maria Ribeiro Duarte.

Justificativa:

Falar e escrever são formas diferentes de utilizar a língua. Considerando as variações lingüísticas, os vários dialetos, níveis de informalidade e emprego de gírias e regionalismo, sabe-se que a língua escrita ainda obedece aos padrões da norma culta. Qualquer falante da língua é “livre” na oralidade (dependendo das circunstâncias), no entanto, o mesmo não se aplica à linguagem escrita.
Na hora de escrever, há que se respeitarem os padrões cultos e convencionais da língua escrita e para isso faz-se necessário conhecer as normas que regem NORMA CULTA da língua portuguesa. Nós, educadores, somos levados diariamente, quando em sala de aula ou não, a discutir com nossos alunos o uso adequado da escrita, o “politicamente correto”, uma vez que os resultados apresentados nas avaliações têm mostrado desempenhos abaixo do esperado. Fato este que sinaliza para uso inadequado da escrita.
Cabe então, melhorarmos esses índices e um dos vieses dessa mudança, passa pela ortografia.
Daí a sustentação do referido projeto.


Objetivos:

Geral: Melhorar a capacidade de escrita dos alunos do 6º e 7º ano do Ensino Fundamental

Específicos: Desenvolver no aluno o hábito da escrita; despertar o interesse da descoberta das regras ortográficas e gramaticais de forma prazerosa nos discentes inseridos no projeto; e, buscar ampliar a capacidade dos alunos do Ensino Fundamental de escrever de forma correta, de acordo com a norma culta, sem esquecer da necessidade da presença da linguagem coloquial, também, na nossa língua.

Metodologia: Através da leitura do jornal, a cada semana motivar o aluno a conhecer uma regra ortográfica; aplicar, a cada quinze dias, exercícios de fixação, utilizando-se as regras estudadas; a cada 04 semanas um fórum de discussão, entre discentes e docentes para avaliação do projeto; no dia 28 de novembro, a culminância do projeto, com uma grande gincana, com a participação de autoridades e convidados.

Avaliação: A avaliação acontecerá de forma permanente, tanto oral quanto escrita, a partir de cada regra ortográfica desenvolvida pelos professores em suas respectivas salas de aula.